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Derradeiro Impacto

Há momentos com um player que toca a música que o personagem está escutando... se você ver o símbolo ₢ em algum momento do texto e não conseguir clicar no sinal do player, clique no navegador correspondente aqui:


Mozilla


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          Eu tinha acabado de chegar na capital. Meus três amigos estavam na rodoviária me esperando chegar, todos ansiosos, afinal já fazia um bom tempo que eu não os via. Meus dois amigos que moravam juntos no centro, e a namorada de um deles, que também fazia parte do nosso círculo de amizades. Ao chegar, dei um abraço apertado em cada um deles, lembrando dos velhos tempos em que vivíamos próximos e fazíamos brincadeiras no meio da noite. Quando terminaram os comprimentos e todo aquele ritual de mata-saudade entramos no carro e fomos em direção ao apartamento em que eles moravam juntos. Perdemos aproximadamente quarenta minutos no trajeto da rodoviária até o apartamento de dois quartos que eles tinham alugado no centro da cidade. Fomos boa parte do caminho escutando rádio, porém quando começaria a parte das notícias da cidade decidimos desligar e voltar a falar as besteiras que quando estávamos juntos surgiam com tanta naturalidade quanto as risadas que vinham logo depois. Mas meu pensamento não estava focado ali, estava em outro lugar, precisamente do outro lado da cidade onde ela morava. Pensei por alguns instantes em tudo que tínhamos passado juntos. Nossos momentos de alegria e tristeza, os abraços apertados que teimavam em jogar minha tristeza sempre para longe... Afastei esses pensamentos da minha cabeça, pois uma pontinha de angústia começava a tomar conta de mim. Fazia já algum tempo que eu não a via. Mas tinha prometido a mim mesmo que dessa vez não ia passar. Eu iria ligar pra ela e combinar de nos encontrarmos. Ela com certeza iria adorar, afinal eu sabia que ainda gostava de mim... - E eu dela pensava, enquanto cutucava a namorada do meu amigo, no banco da frente, quando ela imediatamente me dá um tapa na mão e mostra a língua, antes do carro inteiro encher-se com risos e palmas.
          Chegando no apartamento, pegamos as malas, aliás, eu peguei as malas, pois absolutamente ninguém iria carregá-las pra mim, inclusive colocaram as coisas que eles estavam carregando sobre as malas pra eu carregar também, enquanto riam da minha cara sofrendo com os dois malões e uma mochila a tira colo, subimos até o sétimo andar e entramos no pequeno apartamento deles. Na sala de estar, o primeiro cômodo que entrei, tinham dois sofás brancos, com revestimento macio, um de dois e outro de três lugares, em forma de 'L', e o rack da TV de 32 polegadas que ficava bem em frente ao sofá de três lugares. Coloquei minhas malas no carpete em frente ao sofá e corri para o banheiro, afinal esse trajeto de carro tinha me enchido a bexiga. Saí de lá e voltei para a sala, onde todos estavam sentados olhando um filme que estava dando em algum dos vários canais da tv a cabo. Quando cheguei, estava começando uma edição especial do jornal, que provavelmente anunciava morte de alguém famoso, mas que como de costume não iríamos dar bola, e apertando ooff no controle remoto, fomos todos para a janela atrás do sofá simples, coberta por uma cortina transparente branca, que dava na sacada, com uma vista incrível do centro da cidade. Ficamos ali sentados jogando conversa fora enquanto eu peguei meu celular e comecei a criar coragem para ligar pra ela.
          Vários minutos se passaram, quando decidimos ir para um dos morros que cercam a cidade. Geralmente de cima deles era possível vislumbrar toda a cidade, e uma enorme parte do mar. Por ser uma capital costeira, podia-se ver mais o mar do que a própria estrutura da cidade, o que fazia com que os morros fossem o local preferido dos casais apaixonados, fato que fez meu coração apertar ainda mais.
          Quando decidimos que seria melhor acabar, pois ela estava se mudando para a capital, ambos sabíamos que mesmo sendo uma decisão acertada, deixaria em ambos, um pedaço do coração do outro, afinal nos gostávamos muito, mas a distância nesse caso impediria qualquer chance de ficarmos juntos. Ao menos era o que eu pensava para tentar não ficar tão mal, e impedir que a dor no estômago que sentia quando pensava nisso, não machucasse tanto. Mais tarde, ao olhar pra trás talvez fosse difícil mas não impossível ficarmos junto, mas era melhor deixar esse assunto de lado agora.

A Velha Fazenda

Já era quase noite quando o eco dos freios da pick-up ressoou no vazio daquela noite chuvosa, soltando barro para todo lado. Bem que eu devia ter ouvido aqueles comentários na cidade que me diziam para ficar longe daqui quando perguntei onde ficava a velha fazenda do Sr McWire.

Não que também não fosse estranho um aquele telefonema do Tribunal falando que meu velho tio tinha me deixado como herança sua fazenda no interior daquela pequena cidade. Mesmo sendo um dos parentes que mais me amava, pensei que talvez uma herança dessas devesse ficar para os irmãos dele, ou algo assim. Apenas peguei algumas roupas, passei no mercado e comprei um pouco de comida, o suficiente para o fim de semana, onde eu iria conhecer o meu mais novo bem adquirido. Saí da pick-up esbravejando contra os céus por mandarem aquela chuva exatamente no meio do caminho entre a minha casa e a fazenda, com uma toalha para proteger a cabeça que é algo que todos fazem mesmo sem saber a razão, mesmo já estando completamente ensopado, corri até a porteira de madeira, desloquei o aro de metal que prendia o portão no resto da cerca para tentar prosseguir até finalmente chegar na casa da fazenda em si.

A Última Folha

A última folha caiu da árvore. Aquela grande folha marrom de plátano suavemente bailava até tocar o solo. Era o fim do Outono. Os campos, antes verdejantes e cheios de margaridas e copos-de-leite, logo ficaram marrons. A geada terminava de pintar a paisagem com cores completamente sem vida. E aquele velho homem sabia o que isso significava. Ele esperava por esse momento por doze invernos. O crepúsculo se aproximava. Chegava a ser uma blasfêmia pensar sobre o que devia ser feito. Já tinha separado algumas poucas provisões, afinal o peso não era um aliado em potencial. Também separou algumas garrafas de água e um canivete, que era uma ferramenta imprescindível naquela jornada. Agradecia cada dia pelos suíços terem inventado um artefato tão incrível como aquele. O vento começou a soprar mais forte. - A hora se aproxima - pensa ele enquanto termina de dobrar alguns pedaços de pano que em algum momento talvez foram chamados de vestes novas, mas que agora nada além de trapos para cobrir-se quando os primeiros flocos de gelo começassem a cair. Chegava a sentir calafrios cada vez que pensava as dificuldades que tinha certeza que passaria. Mas não havia problema, ele tinha feito cada passo que deveria dar em sua mente.

Uivo nas Sombras

Ouço aquele uivo. Um uivo que parece percorrer minha espinha de uma ponta à outra. Até o último fio do meu corpo parece levantar-se para ouvir aquele som agudo ao longe nas montanhas.
O som das poucas madeiras que consegui recolher crepitando no fogo dão um visual muito mais do que sombrio, banhado pelo anoitecer dessa lua cheia. O desfiladeiro ao longe marca o local da passagem que eu deveria chegar em 3 dias de caminhada, mas a realidade me mostrou que não devo confiar em previsões. Estou aqui sentado, segurando um pedaço de metal, cozinhando um pequeno coelho raquítico que consegui pegar pouco antes de escurecer. O cheiro já começa a fazer efeito. Escuto um número cada vez maior de passos ao redor de mim. Mesmo sem conseguir vê-los, sei que estão lá. Consigo praticamente sentir o calor das suas respirações. Começo a suar frio. Aquele uivo. Não parece normal... Esses demônios peludos geralmente emitem um som mais agudo, mas esse foi diferente, foi como uma sentença. Estaria ele tentando me distrair? Ou até quem sabe me avisar do que estava por vir, ou talvez apenas fazer meu sangue gelar.

Revolto

O mar revolto, o céu escuro, o pavor no rosto de cada marujo que comigo desbravava aquele mar do novo mundo. Novas terras, novas mulheres, novos bens para pilhar... Yo-ho yo-ho! Realmente parecia um sonho. E seria mesmo, afinal léguas e tempestades a fio nosso glorioso Turbilhão Prateado nunca rangeu, seja para algum maremoto, ou tufão qualquer. Mas esse parecia diferente... estava diferente. Os antigos diriam que Netuno está mostrando toda a sua ira pelos nossos homens terem saqueado alguns velhos sacerdotes ou aberto algumas tumbas, importunando os mortos, ou até roubado alguns dobrões do ouro maldito em algum templo. Mas hoje em dia quem se importa com isso? Até onde sei, apenas devemos temer o gigante dos mares, com seus tentáculos monstruosos, e dentes que mais parecem pontudas e finas adagas, mas ainda assim ele não seria páreo para nossa velocidade.

Epidemia

Segue transcrição de uma gravação encontrada em meio aos escombros da velha cidade de Pripyat:

“Já estamos entrando numa nova década, e em vez de nos preocuparmos com os problemas iminentes, como a escassez de água ou pra onde iremos jogar tanto lixo, temos que nos preocupar com a epidemia.

Guerras Medievais I

Não conheço o princípio deste lugar onde chamamos de lar, apenas ouço histórias, contadas por meus pais, que ouviram dos pais deles. Desculpe-me se essa história parece um conto para crianças dormirem. Eu também custava a acreditar nas fantásticas histórias de batalhas travadas na Primeira Grande Guerra. Vou lhes contar o que a minha frágil memória ainda consegue recordar:

Oculto

Olho de um lado para outro sem saber exatamente o que tento enxergar...
- Aquela luz, sempre ela, e esse som...
Coloco as mãos na cabeça, tentando tapar os ouvidos, mas o barulho parece florescer dentro dos ossos.
Viro para o lado, os devaneios começam no mesmo instante.
- Não perca a consciência idiota, jah chegou tão longe!

Medo na Noite

- Que diabos, essa tranca não fecha...

...entramos nessa casa aparentemente abandonada. Era necessário sermos rápidos, afinal não tínhamos certeza se ele nos viu.

- Tenta colocar alguma coisa, um pedaço de madeira, sei lá.

Sussurrou ela no meu ouvido. Diferente dos sussurros de outrora, esse demonstrava o pânico, que não era muito diferente do meu, afinal por apenas alguns segundos não tivemos qualquer pedaço do corpo decepado. Precisávamos fugir, mas sair agora significava delatar nossa posição, nosso refúgio, e isso era algo que realmente não nos interessava.